quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Oficina PGPM e PAA em Imperatriz

Texto: Virginia Talbot e Yuri Amaral (Analistas Ambientais do ICMBio)

Foto: Yuri Amaral

Publicação e assessoria: Ascom/ICMBio - (61) 3341-9290


Núcleo de Gestão Integrada promove oficina sobre produtos da sociobiodiversidade

Brasília (07/12/09) – Equipe do NGI (Núcleo de Gestão Integrada) de Imperatriz (MA) promoveu, nos dias 26 e 27 de novembro, Oficina de Acesso a Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) e ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). O evento aconteceu na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Imperatriz e contou com a presença de cerca de 30 comunitários das três reservas extrativistas da região do Bico do Papagaio – Ciriaco e Mata Grande, no Maranhão, e Extremo Norte do Tocantins, em Tocantins.

O objetivo da oficina foi levar informações sobre acesso à política de garantia de preços mínimos e ao programa de aquisição de alimentos, contribuindo dessa forma para a estruturação e o fortalecimento de mercados com relação aos produtos da sociobiodiversidade, mostrando a abertura dos mercados locais, regionais e nacional aos produtores extrativistas.

A equipe do NGI contou com o apoio dos servidores do ICMBio Sede (Macroprocesso Populações Tradicionais), Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Ministério do Meio Ambiente (MMA), Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome (MDS) e Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

Estiveram presentes, ainda, representantes de entidades parceiras como sindicatos de trabalhadores rurais dos municípios abrangidos pelas Resex, ONG Centru (Centro de Educação e Cultura do trabalhador Rural) e MIQCB (Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu).

O técnico da Conab em São Luís, Rogério Prazeres, falou sobre a política e o programa, bem como sobre as formas de acesso e documentos necessários para aderir, além de esclarecer as dúvidas do público presente.

O analista ambiental do Instituto Chico Mendes Victor Singh, que atua na área de populações tradicionais, fez esclarecimentos sobre a Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP) e os diferenciais das reservas extrativistas no acesso a este documento, além de informar alguns dos programas que o ICMBio tem oferecido às Resex e outras Unidades de Uso Sustentável (telecentros, telefonia pública entre outros).

O público pôde exercitar o preenchimento de formulários de participação do Programa de Aquisição de Alimentos via internet, gerando debate sobre possíveis produtos que podem ser oferecidos pelos produtores, bem como seus valores de mercado.

O Núcleo de Gestão Integrada fez uma apresentação sobre sua estrutura atual, linhas de ação prioritárias e projetos para o ano de 2010. Foi aberto um momento para intervenções e relatos dos comunitários sobre questões referentes às reservas extrativistas, o que gerou diálogo entre comunitários das três unidades, fortalecendo a união e mobilização coletivas.

Ademar Andrade, sócio da Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas da Mata Grande (Atramag) e membro da diretoria achou os dois dias de evento bastante produtivos. “É bom ver o trabalho da Conab sério e transparente, auxiliando os extrativistas. Foi muito importante ver o que a associação pode fazer, por onde acessar e como fazer. Aprendemos muito. A explicação da Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAF) também foi muito importante, porque muita gente ainda não entendia”, frisou Andrade.

A equipe de analistas do Núcleo de Gestão Integrada aprendeu com a oficina e se capacitou ainda mais para auxiliar os extrativistas a acessarem essas políticas públicas. Os próximos passos são a obtenção da documentação necessária e realização de reuniões com os agroextrativistas para listagem de produtos a serem oferecidos e sua quantidade anual possível, além de contato com entidades próximas interessadas em estabelecer a parceria para execução do Programa de Aquisição de Alimentos.

Participando deste programa a produção local será estimulada, aquecendo o mercado regional e garantindo diversidade e qualidade na alimentação, já que a produção agroextrativista é orgânica e não necessita de conservantes e outros aditivos para transporte, armazenamento e consumo nas localidades próximas, favorecendo a segurança alimentar.

O Núcleo de Gestão Integrada sediado na cidade de Imperatriz/MA busca a gestão integrada das reservas extrativistas da região do Bico do Papagaio, abrangendo a Resex Ciriaco, Resex Mata Grande e Resex Extremo Norte do Tocantins, contando com quatro analistas ambientais e um técnico contratado.

PGA – A Política de Garantia de Preços Mínimos garante preço mínimo aos produtos da sociobiodiversidade, e produtos tais como o coco babaçu e a castanha-do-Brasil são algumas das prioridades dos programas da cadeia da sociobiodiversidade.

Os extrativistas que tiverem acesso a esta política mas que não conseguirem vender seus produtos pelo preço mínimo definido (R$ 1,46 o Kg da amêndoa) terão direito a recursos do governo para que o valor de venda alcance o mínimo nacional.

Já o Programa de Aquisição de Alimentos garante uma reserva de mercado aos produtores, pois habilita escolas públicas, hospitais, creches, asilos entre outras instituições a adquirirem os produtos dos extrativistas.

No caso do babaçu, os principais produtos seriam o óleo, o azeite, a farinha do mesocarpo e as amêndoas, porém outros alimentos cultivados pelos agroextrativistas também podem ser incluídos. A Conab é a entidade responsável por operar a política e o programa.


Veja essa notícia também em: www.icmbio.gov.br

Reportagem da TV Mirante, afiliada da Rede Globo, sobre a oficina: http://imirante.globo.com/noticias/pagina223386.shtml

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Xixi no banho: a animação.

Vídeo sugerido pela Millena Lízia divulgando o Xixi no banho, campanha da S.O.S. Mata Atlântica pela preservação dos nossos recursos hídricos, comentada em outra postagem aqui.

Muito Bom!


video

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Animais bastardos

Fotos: Yuri Amaral

Eu já comentei aqui sobre a campanha "Isto acontece porque você compra", do IBAMA, contra o tráfico de animais silvestres. Pois bem, resolvi divulgar aqui algumas imagens de animais apreendidos ou entregues ao IBAMA de Imperatriz/MA e que, muitas vezes, perderam definitivamente sua vida em liberdade.

Macacos-prego

Enquanto não sai a sede de Imperatriz do ICMBio, estamos acupando uma sala na sede do IBAMA, onde há também, um núcleo de fauna. São dezenas de macacos-prego, um tamanduá-bandeira (dois tamanduás-mirin foram soltos hoje!), uma sucuri que chegou ontem, vários papagaios, algumas araras, gaviões, um ouriço-cacheiro, um gato-do-mato e um gato-mourisco.

Filhote de Maracajá

Filhote de Gato-do-mato

Araras
Macacos-prego, não parecem com presidiários brasileiros?

Papagaios.

Filhote de Tamanduá-bandeira.

Sucuri entrege pelo corpo de bombeiros depois de ser resgatada de populares que tentavam mata-la.

O destino de animais retirados da natureza inclui jaulas apertadas, alimentação racionada, estresse, machucados e o resto da vida em cativeiro.

Colabore para reverter este cenário! Não compre nem crie animais silvestres sem liçenca!

[Esta postagem entrou na rede com um dia de atraso, devido a problemas técnicos]

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Parque Estadual Intervales

Fotos: Yuri Amaral

Boa parte da trilha é percorrida por rio.

Como mencionei na postagem anterior, estou morando temporariamente na Floresta Nacional de Ipanema, em Iperó/SP, onde está sediada a Academia Nacional da Biodiversidade (Acadebio), centro de formação e treinamento dos funcionários do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Para escapar da disciplina rígida e descansar a mente das longas jornadas de aula, passei o fim de semana passado no Parque Estadual Intervales, uma unidade de conservação de proteção integral do estado de São Paulo, com alguns dos novos colegas sediados em algum lugar remoto da amazônia legal. Me encantei com o que vi e resolvi contar (e mostrar) como foi o passeio neste lugar maravilhoso.

O parque possui pousadas muito bem estruturadas que foram instaladas nas casas dos antigos moradores, desapropriadas quando da demarcação da unidade. Os quartos são como albergues, com beliches e dependências comuns. Ocupamos quatro quartos na pousada Onça Pintada, a R$ 25,00 a diária. A área total do parque compreende 41.700 ha, abrangindo cinco municípios do Vale do Ribeira e Alto Paranapanema - por isso inter-vales.

Pousada Onça Pintada.

Saímos no domingo pra percorrer a trilha da Gruta Luminosa, num total de 20 Km entre trechos de rios, trilhas e cavernas. Levamos 7 horas, entre 10h e 17h, como o dia estava nublado, não foi tanto cansativo.



As flores dão um show a parte.

O Parque possui flora e fauna riquíssimas. A cada curva, bromélias, orquídeas e outras plantas floridas e seus insetos disporsores em volta. Como o grupo era formado majoritariamente por biólogos, as paradas para observações eram inevitáveis. Podemos observar um tucano (o fotógrafo aqui deu mole e o bicho voou antes de conseguir sacar a máquina), um bugio (espécie de primata) e indícios de anta, fora insetos dos mais diversos.

Bugio observando curioso seus parentes de roupas.


Um curioso besouro (os preferidos de Darwin).


Nem sempre é necessário ver o animal para saber que ele ocorre no lugar. A pegada deixa claro que uma anta passou aqui pouco antes de nós.

Ninho de alguma ave (não sei qual...). Só o homem faz arte?


Apenas observando a serrapilheira pode-se reparar na diversidade no local. Pouco a pouco as folhas, galhos e animais mortos vão sendo decompostos para enrriquecer o solo e manter o ciclo de reciclagem dos nutrientes da floresta.


Pequeno trecho dominado por samambaias gigantes. As pteridóphilas foram as primeiras plantas a apresentar crescimento arbóreo ao longo da caminhada evolutiva.

As cavernas são um espetáculo a parte. Em Intervales, há 45 cavernas. Em algumas, são necessárias 2 horas para visitar todos os salões. Visitamos duas, porém, a mais bacana foi a Luminosa, com uma queda d'água iluminada que dá um efeito fantástico.


A tropa dos novos analistas ambientais do ICMBio. Apenas uma amostra, no total são 175. Na extrema esquera, Robisson, nosso guia.




Cachoeira Luminosa, o banho é gelado, mas, depois de horas caminhando, recompensador.

Se alguém quiser visitar, o parque fica a 25 km de Ribeirão Grande/SP. Fone: (15) 3542-1511 ou 3542-1245. E-mail: pe.intervales@fflorestal.sp.gov.br

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Novos ares

Prezados leitores, seguidores e eventuais visitantes,

Este blogue está de mudança. Digo, quem se mudará de fato, sou eu. O Dendrito permanecerá funcionando no mesmo endereço, porém, as postagens serão feitas de Imperatriz, município do estado do Maranhão.

Em fevereiro passado fiz prova de concurso público para o cargo de Analista Ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, passei e fui nomeado a assumir o cargo no último dia 14. Tomo posse no início de setembro em Brasília/DF e, depois, ficarei um mês em Iperô/SP fazendo o Curso de Gestão da Biodiversidade e Unidades de Conservação, na Floresta Nacional de Ipanema (durante este período ficarei com dificuldades técnicas em acessar a internet, portando, o movimento aqui será menor do que já é, rsrs).

Em outubro terei de me apresentar em Imperatriz, onde irei gerir a Reserva Extrativista do Ciriaco (notícias na net sobre Ciriaco- aqui e aqui). Se trata de um antigo Quilombo em que a comunidade pratica o manejo sustentável do Babaçú, um coco usado na produção de óleos e cosméticos. Quem tem o Goolge Earth em casa pode ver a reserva na seguinte coordenada geográfica: 5°14'37.59"S e 47°49'35.10"O.

Mapa de localização da Resex do Ciriaco em relação ao estado do Maranhão (clique para ampliar).

Resex do Ciriaco, a imagem está ruim, mas dá pra observar a parte verde, mais bem conservada, e o entorno desmatado (clique para ampliar). O rio que passa ao lado é o Tocantins.

De acordo com a lei nº 9985/2000 , reserva extrativista "é uma área utilizada por populações extrativistas tradicionais, cuja subsistência baseia-se no extrativismo e, complementarmente, na agricultura de subsistência e na criação de animais de pequeno porte, e tem como objetivos básicos proteger os meios de vida e a cultura dessas populações, e assegurar o uso sustentável dos recursos naturais da unidade." Ela é de domínio público e as comunidades tradicionais tem direito de uso. Desta forma, meu trabalho lá transcenderá a biologia. Terei que desenvolver trabalhos etnográficos e ligados a sociologia. Uma puta experiência.

Em fim, mais que noticiar o fim da era de desocupado (desempregado mesmo...), gostaria de antecipar que em breve vocês terão aqui um canal de comunicação direto sobre a natureza e a cultura maranhense. Espero continuar contando com a visita de vocês. Naturalmente, meu interesse em divulgar temas campistas diminuirá com o tempo, mas, espero acompanhar notícias da cidade pelos blogues que costumo ler.

Em breve, mais notícias - e fotos - do que será a maior aventura da minha vida (até então).

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Volta Ciclística São Salvador - 2009

Fotos: Yuri Amaral

Ah... estava com saudade de fotografar.


Foi realizada hoje mais uma edição da Volta Ciclística São Salvador. Os atletas deram a largada em frente à Câmara Municipal, na Alberto Torres e passaram pela 28 de Março, Formosa e Beira Valão (Canal?) antes de completar a volta. Como no ano passado, fiquei sabendo da corrida meio que por acaso, corri para buscar a máquina e queimei ao sol da planície até me sentir satisfeito.

Mais que uma competição - que vale pontos de classificação para torneios nacionais e internacionais - a Volta Ciclística é uma vitrine para Campos, para mal ou para bem. Se por um lado os atletas gostam de correr na cidade, principalmente pelo apoio da população que comparece em peso ao longo de todo o percurso, por outro o município mostra desorganização ao não conseguir isolar apropriadamente a pista. De qualquer maneira, é um espetáculo esportivo e um ótimo programa para a manhã de feriado.

Como ciclista - de dia-a-dia, não profissional - considero a competição importante para a valorização do ciclismo, principalmente em campos que possui a topografia ideal para a prática do esporte. A bicicleta é um veículo não-poluente, o que por si só já é uma vantagem em tempos de aquecimento global, e ajuda a manter o condicionamento físico, o bem estar e a saúde.

Para conseguir este efeito de velocidade nas fotos usei uma técnica simples que consiste em reduzir a velocidade do obiturador e disparar a foto acompanhando o movimento do objeto com a torsão do tórax. Desta forma, o objeto fica nítido, quase congelado, enquanto o ambiente à sua volta fica borrado, dando a sensação de movimento. Usei a mesma técnica na Cavalhada de Santo Amaro.

Ah, sim! Quem ganhou em cada categoria? Procure na imprensa, não anotei os resultados. rsrsrs

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

MP 458

Como eu já havia comentado aqui (1 e 2), a MP 458, que trata da regularização fundiária da amazônia legal ainda vai dar muito o que falar. Para entender um pouco mais sobre as consequências da nova lei a BBC Brasil preparou uma série de reportagens sobre o tema. Mesmo sendo uma agência de notícias pública britânica, esclarece muita coisa sobre a situação fundiária, política e econômica da amazônia legal.

Link direto aqui.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Saiu Barato

O Bank of American concordou em pagar multa de U$ 33 milhões (R$ 65,50 mi) por ter pago bônus à altos executivos, mesmo tendo dito que não faria isto. O banco recebeu mais de U$ 40 bi de ajuda financeira do contribuinte norte americano e pagou um bônus de U$ 3,5 bi a alguns de seus abastados funcionários.

O valor da multa excede em pouco mais de um quinto a multa máxima prevista na legislação ambiental, de R$ 50 milhões.

No fundo, o acordo/multa, saiu barato.

Da BBC Brasil.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Diga não ao tráfico de animais!


O Dendrito tomou conhecimento e resolveu apoiar a campanha "Isto acontece porque você compra" do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), para conscientizar a população sobre a questão do comércio ilegal de animais silvestres. A campanha consiste na distribuição de peças gráficas (posters, adesivos, cartazes) com imagens impactantes de animais mortos e promoção de palestras sobre o tráfico de animais silvestres. Atualmente milhares de animais silvestres da fauna brasileira são exterminados devido a maus tratos empregados no tráfico ilegal. Estima-se que a sobrevivência ao transporte de muitas espécies seja de 10% (a cada 10 animais capturados, 1 chega vivo ao comprador ilegal). Por mais bonitinhos e divertidos que sejam, o comércio ilegal destes animais é proibido pela lei federal n° 5.197/67.

Embora a morte direta durante o transporte e captura seja um dos maiores problemas relacionado ao tráfico, a falta de informações sobre o comportamento, tamanho máximo atingido e dieta por por parte do comprador acabam por resultar em outra questão importante: a bioinvasão por expécies exóticas. Muitas pessoas, depois de adquirir um animal, acaba por se cansar dele, seja porque não sabe cuidar, o bicho cresce demais, ou mesmo perde o interesse, e acha que o melhor a fazer é solta-lo em ambientes selvagens. O problema é que nem sempre o animal ocorre naturalmente neste ecossistema e pode competir e reduzir a população de espécies autóctones.

Este foi o caso da introdução de duas espécies de sagui na reserva Poço das Antas, no município de Silva jardim. Diversos indivíduos de sagui como o sagüi-de-tufo-branco (Callithrix jacchus), nativo do nordeste Brasileiro e o sagüi-de-tufo-preto (Callithrix penicillata), nativo dos Estados de Goiás, São Paulo, Minas Gerais e interior da Bahia, foram deliberadamente soltos no ambiente e aumentaram em grande número. A competição por recursos com o mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia), acabaram por reuzir significativamente a população do segundo que é endêmico a região (só ocorre lá). O resultado é que hoje os administradores da Unidade de Conservação têm praticado ações de manejo que incluem castração e eutanásia de saguis para garantir a sobrevivência dos mico-leão-dourados.

Outro problema relacionado à soltura de animais sem o devido cuidado é a introdução de doenças adquiridas no cativeiro nas populações silvestres. Sem contar que a chance de sobrevivência no meio selvagem de um animal que ficou enjaulado por longo período é muito curta.

Caso a pessoa resolva se desfazer de um animal adquirido, mesmo que ilegalmente, o melhor a fazer é entregá-lo ao IBAMA, a um Centro de Triagem (CETAS), ou, de Reabilitação. O decreto federal nº 6514, de 2008, garante a não aplicação da pena a pessoa que espontaneamente devolver às autoridades competentes um animal sem origem controlada.

É bom lembrar que a venda, criação e abate de animais silvestres é regulamentada por diversas resoluções do CONAMA (Conselho Nacional de Meio Ambiente), orgão consultivo da Política Nacional de Meio Ambiente, e pode ser praticada desde que se obtenha autorização do orgão competente - na maioria das vezes, o IBAMA. Isto quer dizer que, se alguém tem interesse em ter um animal da fauna silvestre como pet, deve seguir uma série de normas e estar cadastrado no SISFAUNA (Sistema de Gerenciamento da Fauna) para ter sua situação legalizada e poder garantir o bem estar e saúde do animal e seu dono, além de ter a garantia da origem do bicho.

Quem tiver mais interesse sobre a campanha pode ler o Relatório Semestral ou acessar o sítio do IBAMA (lá encontra-se toda a legislação vigente).

Para a mídia, reproduzo uma série de recomendações sobre a exibição de programas sobre fauna, do relatório citado (O Richard Rasmussen deveria dar uma olhada nisso):

1) Não exibir animal silvestre sem origem legal;
2) Cuidado ao exibir animais silvestres com origem legal: isso também pode estar estimulando o
consumo dos animais sem origem;
3) Não estimular o consumo ou recomendar o animal silvestre como pet;
4) Não exaltar características do animal silvestre como afetividade com humanos, doçura, inteligência para aprendizado, etc;
5) Não perseguir ou apanhar animais silvestres, mesmo que para soltura imediata;
6) Não demonstrar ou descrever técnicas de captura do animal silvestre;
7) Não divulgar o valor do animal no comércio ilegal ou mesmo legal;
8 ) Em dramaturgia (novela, cinema, teatro) evitar exibir animais silvestres em cativeiro, ainda que tenham origem legal;
9) Se for utilizar animais silvestres oriundos de criadouros, checar antes com o Ibama a situação
desse criadouro junto ao órgão;
10) Não produzir provas, desafios, concursos com animais silvestres e muito menos premiar os
proprietários desses animais;
11) Em reportagens sobre o tráfico, ao exibir os métodos cruéis, esclarecer ao espectador que não se deve comprar o animal silvestre para cessar aquela situação, pois isso só aumenta a captura;
12) Não humanizar animais silvestres, por mais agradável ou engraçado que possa parecer (colocar roupinhas, fazê-los executar jogos, operar brinquedos, etc.);
13) Desmistificar sempre as crendices associadas aos animais, como: sorte, azar, atrai amor, cura
doenças, etc;
14) Lembrar que animais ideais para viver ao lado dos humanos são os animais domésticos;
15) Estimular e agregar valores à observação de animais em vida livre;
16) Preocupar-se com a produção de sentido. Perguntar sempre: que efeito essa apresentação vai gerar na cabeça do espectador?

[Modificado dia 25/07 para corrigir informações]

terça-feira, 21 de julho de 2009

Praças para Campos

Este mês o tema da Rede Blog é: "Praças - opções de lazer infantil em Campos". A sugestão do blogueiro Jules Rimet venceu por W.O., pois não houve outra sugestão. Bem, seguindo a linha do Dendrito em priorizar temas ambientais e culturais, tratarei da importância das praças e parques urbanos na educação ambiental e na melhoria da qualidade de vida e como Campos ganharia se tivesse uma política pública voltada para isso.

Fotos: Yuri Amaral

As praças tiveram sua origem nos primeiros centros urbanos da Grécia e Roma antiga e servem como local de passagem e socialização. São áreas públicas propícias a manifestações políticas e culturais e algumas delas foram palco de importantes momentos na história da humanidade. As praças representam ilhas horizontais em meio à verticalização cada vez mais intensa das cidades modernas, possibilitando a observação da paisagem ao redor. Pode-se considerar também como praças áreas não urbanizadas como as praias.


Praças possibilitam a criação de áreas verdes em meio à selva de pedra. Refúgio para animais, como nós, que precisam de alguns minutos de descanso sob a sombra de uma árvore entre uma atividade e outra. Ouvir os pássaros, o barulhinho da fonte, o cri-cri da cigarra, e ver a criançada brincar. Para os pequenos representa até mais, pois constitui um local próprio às atividades lúdicas de socialização e aprendizado, sendo uma importante ferramenta para a prática da educação ambiental para a geração do apartamento.


O uso de brinquedos coletivos estimula o senso de civilidade e altruísmo, além de possibilitar o relacionamento entre crianças de diferentes origens e classes sociais. A sociedade não é homogênea e o cidadão precisa ter ciência disso desde a infância. Ainda, constitui um importante espaço à prática de esportes, atividade essencial à melhoria da qualidade de vida.


No quesito praças e opções de lazer – não só infantil – Campos mantêm sua reputação de péssima administração. Não que a cidade tenha poucas praças, mas elas são concentradas nas regiões mais ‘nobres’ e, mesmo assim, costumam estar mal conservadas e/ou não oferecem segurança aos visitantes. Um caso crônico é a praça que fica atrás da rodoviária velha (não lembro o nome). Apesar de possuir diversos locais para a prática de esporte e acesso à internet, é muito pouco frequentada devido aos constantes assaltos e ao estado de conservação. Já vi inúmeras obras lá, uma em andamento, mas a situação nunca melhorou.


Alguns casos bem sucedidos se perderam com o tempo, como a Pracinha do Liceu, que apesar de receber inúmeras pessoas e ter passado por uma reforma recente, pouco a pouco está se deteriorando. Se é assim em bairros assistidos pelo poder público, o que dizer sobre os bairros periféricos? As praças que vi em periferias se resumem a bancos de cimento, brinquedos quebrados e quadras de futebol. Raramente à jardins, árvores, fontes de água potável ou estão conservadas.


O poder municipal deve olhar com mais atenção para as praças e jardins da cidade. Além do papel paisagístico e cultural, esses espaços contribuem para a qualidade de vida da população e consequente elevação do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), além de ser uma importante opção de lazer para a família.

[Nas fotos: Apresentação da Dixie Square Band, durante o III Imagem Jazz & Blues, na Praça São Salvador. Ato público Chega de Palhaçada, organizado pela internet e realizado no calçadão do centro, ou Largo da Imprensa. Apresentação de Capoeira no pátio da prefeitura de Campos. Exemplos dos diversos usos de praças públicas. ]

sexta-feira, 17 de julho de 2009

BR-319 só sai com cumprimento integral das condições ambientais, diz Carlos Minc

Amanda Mota
Repórter da Agência Brasil

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, reiterou hoje (16), em Manaus, que o licenciamento ambiental da restauração e pavimentação da Rodovia BR-319 – que liga as capitais do Amazonas e de Rondônia - só sairá quando realmente forem cumpridas todas as condições ambientais exigidas.

Ele reforçou os pré-requisitos estabelecidos para a efetivação da obra (em um trecho de 400 quilômetros da estrada), que incluem a implantação de 28 unidades de conservação, sendo 11 unidades federais e 17 estaduais (nove no Amazonas e oito em Rondônia).

“Cabe a nós, como órgão licenciador, exigir que essas condições sejam cumpridas nessas 28 áreas e que somam mais de 10 milhões de hectares. Uma vez cumpridas todas as condições, não haverá mais nenhum problema. Não se pode imaginar que o licenciamento aconteça na área mais preservada sem que essas condições sejam completadas e previamente cumpridas”, reforçou.

Segundo Minc, a opinião do ministério é que a solução de mais baixo impacto seria uma hidrovia ou uma ferrovia para essa área. “Contudo, como o governo se decidiu pela estrada, criamos um grupo de trabalho formal, com governo estadual, universidade federal, Ministério dos Transportes, Ibama e Instituto Chico Mendes e esse grupo estabeleceu as pré-condições”, acrescentou.

A construção da BR-319 aconteceu na década de 1970. A falta de conservação da rodovia, entretanto, inviabilizou o trânsito na área. Na avaliação do ministro, exigir o cumprimento integral dos pré-requisitos para esta obra significa garantir que problemas ambientais futuros aconteçam.

O ministro citou o caso da BR 163 (Cuiabá-Santarém), ressaltando que grandes prejuízos ambientais ocorreram após a autorização da obra por causa da não obrigatoriedade das condições ambientais. Minc enfatizou que a extensão territorial da BR-319 é a área mais preservada da Amazônia.

Fonte: Agência Brasil ( O conteúdo deste site é publicado sob uma Licença Creative Commons Atribuição 2.5. Brasil.).

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Amazônia volta a ser tema do Roda Viva

Publico o realise do programa de hoje do Roda viva, da TV Cultura, que tem Adalberto Val, diretor do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - ainda faço meu mestrado lá!), no olho do furacão.

"Nos últimos anos, a expansão agrícola, os projetos de colonização e de desenvolvimento industrial aceleraram a ocupação e o desmatamento da Amazônia.

Boa parte da região ainda é desconhecida do mundo. Cientistas exploram a Amazônia e descobrem todos os anos novas espécies enquanto lutam para encontrar um meio sustentável para a exploração.

O desafio atual é permitir o desenvolvimento científico e econômico amazônico sem agredir o meio ambiente.

Adalberto Val é diretor do INPA, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, órgão criado em 1952 e implementado em 1954 para realizar o estudo científico do meio físico e das condições de vida da região amazônica, além de gerar e disseminar conhecimentos e tecnologia, e capacitar recursos humanos para o desenvolvimento da Amazônia.


Entrevistadores: Darlene Menconi, jornalista de sustentabilidade; Randau Marques, jornalista especializado em ciência e tecnologia, um dos fundadores da Associação Brasileira de Jornalismo Científico, fundador da SOS Mata Atlântica e da Oikos, União dos Defensores da Terra; Washington Novaes, jornalista, supervisor do programa Repórter Eco; Fábio de Castro, editor da Agência Fapesp.
Twitters no estúdio: Paula Signorini, Bióloga (http://twitter.com/paulabio); Carlos Hotta, pesquisador da Universidade de São Paulo (http://twitter.com/carloshotta); Maurício Bonas, jornalista (http://twitter.com/MauricioBonas).
Fotógrafo convidado: Alisson Sellaro Pelucio, gerente de projetos (http://www.flickr.com/photos/sellaro).


Apresentação: Heródoto Barbeiro"

O Roda Viva é apresentado às segundas a partir das 22h10.
Você pode assistir on-line acessando o site no horário do programa.
http://www2.tvcultura.com.br/rodaviva

Fonte: Sítio do Roda viva

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Barfly

Dia: 01 de julho
Hora: 18:30
Local: Auditório II, P-4, UENF (Ainda não conseguimos reservar a sala de cinema do Centro de Convenções junto à reitoria, mas é possível que a sessão seja transferida para lá. Neste caso, enviaremos outra mensagem avisando).

Filme: Barfly
Direção: Barbet Schroeder Duração: 100 minutos
Gênero: Drama

Sinopse: O títuo já diz tudo: barfly significa literalmente mosca de bar. A maior parte do filme se passa num boteco
decadente onde os mesmos frequentadores sentam-se em seus mesmos lugares todos os dias. O roteiro,
escrito por Bukowski, não se diferencia muito dos contos e romances escritos pelo autor. O filme relata a
rotina de Henry e de outros assíduos frequentadores do bar, as surras que o protagonista toma do cara do balcão e o relacionamento do casal de bêbados Henry e Wanda.

Com este filme, encerramos a série emhomenagem à Charles Bukowski.
www.cinecabrunco.blogspot.com

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Lula veta artigos polêmicos da MP 485

Prevaleceu o bom senso!

O presidente Lula vetou ontem dois artigos polêmicos, inseridos por ementa pelos deputados, da MP 485, a MP da grilagem. A MP trata da regularização fundiária na amazônia legal, beneficiando posseiros que vivem das terras e facilitando a fiscalização contra crimes ambientais.

Um dos artigos vetados permitia a posse de terras por empresas do setor privado e o outro permitia a transferência da terra a pessoas que não vivem no local (grileiros). Um outro ponto, que também foi criticado por ambientalistas, não foi vetado e permite a venda das terras após 3 anos da obtenção da posse - o texto original previa 10 nos, no mínimo. Mas assim mesmo foi uma conquista. Espera-se que com a medida os conflitos por terra na região diminuam, assim como o avanço do desmatamento.

Matéria completa aqui, da BBC.

P.S.: preciso me regular, estou utilizando muito a BBC como fonte...

Salva pelo estômago

Fotos reproduzidas do sítio da BBC Brasil.

Tem coisa que só acontecendo para vislumbrarmos a possibilidade de ocorrência.


Na Austrália, uma cobra píton se alimentou de um pequeno marsupial chamado woylie, cuja espécie está ameaçada de extinção e é monitorada pelo Departmento de Conservação e Meio Ambiente (DEC, na sigla em inglês). Acontece que o indivíduo predado possuia um radiotransmissor instalado por ecólogos que estudam a população de woylies selvagens, e o aparelho foi engolido junto. A cobra, depois de descobrirem que ela havia comido o marsupial, foi levada ao DEC numa tentativa de recuperar o transmissor (ofídeos costumam regurgitar uma bola contendo os ossos, pelos e unhas de suas presas depois de digeri-las, o aparelho virá junto).

O curioso da história foi que o acaso fez com que o departamento seja invadido e roubado. Entre algums objetos valiosos furtados, os assaltantes resolveram levar a cobra de quase 2 m, sem saber que ela poderia ser rastreada. Com isso ficou fácil para os pesquisadores, que localizaram a cobra a 2 km do local do crime, dentro de um aquário, na casa de um suspeito de receptar material roubado. O suspeito foi preso e a cobra voltou ao DEC, onde ficará até o radiotransmissor ser recuperado. Depois ela será solta no seu habitat natural.

Já houvi falar de morrer pela boca, mas nunca ser salvo pelo estômago...

Veja matéria completa aqui, no sítio da BBC Brasil.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

MP 485, a 'MP da grilagem'

Amanhã é o dia esperado para aqueles que aguardam a decissão sobre a Medida Provisória 458, apelidada de 'MP da grilagem', que trata da regulamentação fundiária na Amazônia Legal, pois é o último dia para o presidente Lula sanciona-la.

A BBC Brasil publicou uma matéria explicando os pontos mais discutidos da MP, que segundo ambientalistas abrirá uma nova frente de desmatamento, principalmente devido as emendas que o projeto original do governo sofreu no Congresso Nacional (veja aqui).

A MP tem pontos fortes por tocar num ponto esquecido pelo governo desde a década de 80 - a regulação fundiária na amazõnia legal - e por facilitar a fiscalização e o cumprimento da legislação ambiental, porém, as matérias emendadas no congresso abrem brechas para o favorecimento de grileiros, que têm a posse da terra mas não vivem dela (apenas a exploram por meio de terceiros ou prepostos). Além disso, as emendas abrem brechas para que empresas do setor privado também ganhem títulos de terra de pequenas pripriedades.

O programa Roda Viva, da TV Cultura, debateu o assunto no dia 15 de junho (veja aqui).


Vejamos as notícias amanhã...

EUA fazem 'mea-culpa'

Finalmente o Governo dos Estados Unidos assumiu que o aquecimento global existe e, mesmo com a redução da emissão de CO2, é irreversível, segundo matéria da Folha de S. Paulo.

Já é um prmeiro passo da política ambiental de Barack Obama, mas, ainda é preciso convencer o setor energético, que ainda segue a linha Bush e acha um retrocesso econômico reduzir a poluição. Um projeto está em debate no Congresso americano para regulamentar ações para reduzir as emissões de carbono em 17%. Veremos como se comportam os lobys das indústrias ianques.

dia: 24 de junho

filme: Crazy Love
Direção: Dominique Deruddere
Duração: 90 min
Gênero: Drama
Sinopse: Harry Voss é um garoto de 12 anos. Em seus
pensamentos juvenis, amor significa príncipes e
princesas cheios de sentimentos nobres. Harry tem
muito o que aprender: o que significa em 'beijar'
ou 'ficar excitado'? Em busca do amor, ele descobre
também a solidão e a injustita, percebendo também
como a bebida pode ser reconfortante Encontra
muitas pessoas; outras, nem tanto. Aprende, acima
de tudo, que o homem é capaz de fazer qualquer
coisa por um pouco de amor.

hora: 18:30 h
local: auditório ii, p-4, uenf

Conheça o Blog do Cine Cabrunco.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Factotum

Filme: Factotum
Direção: Bent Hamer
Duração: 93 min
Gênero: Drama

Sinopse: Henry Chinaski (Matt Dillon) vive se empregando e sendo demitido de uma série de subempregos, que encontra para tentar bancar sua vida de bebedeiras, apostas em cavalos, mulheres e, principalmente, de escrever livros que nunca serão publicados.

Hora: 18:30 h
Local: Auditório II, P-4, UENF

Conheçam também o blog do Cine Cabrunco.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Em Busca do Cálice Sagrado

Dia: 03 de junho

Filme: Monty Python em Busca do Cálice Sagrado
Direção: Terry Gilian e Terry Jones
Duração: 91 min
Gênero: Comédia

Sinopse: Tido como a melhor comédia de todos
os tempos, o filme, narra a épica
história da busca do Santo Graal
por rei Arthur e seus destemidos
(nem todos) cavaleiros da Távola Redonda.

Hora: 18:30 h
Local: Auditório II, P-4, UENF

Conheça o Blogue do Cine Cabrunco (em construção, mas já está no ar).

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Índios Pirahãs convertem missionário americano ao ateísmo

O curioso caso é relatado no livro "Don't Sleep there are Snakes", de Daniel Everett, 57, missionário americano que foi incubido de evangelizar a tribo Pirahãs na década de 70 e acabou convertido ao ateísmo. Segundo o sítio freethinker.co.uk, Everett, que é Linguista da Illinois Estate University, foi à floresta amazônica para levar a felicidade do cristianismo aos Pirahãs e acabou descubrindo que eles já eram felizes, mais até que ele próprio.

Ele chegou a traduzir a bíblia para o idioma dos nativos e fez leituras dos textos, tendo relatado que os indígenas tinham interesse pelas histórias, mas foi questionado se ele próprio havia presenciado alguma delas. Como nem ele, nem as pessoas que contaram as histórias para ele haviam presenciado aqueles fatos, Everett passou a questionar o texto sagrado e, com o passar do tempo, se declarou ateu.

Os Pirahãs acreditam que o mundo sempre foi como ele é hoje, que não há ser supremo e sua cultura não inclui mitos de criação. Eles são felizes sem deus, religião ou autoridade política.

A conversão ao ateísmo, entretanto, levou 19 anos para ser assumida e lhe custou um casamento e a ruptura de relações com dois de seus três filhos.

Uma entrevista de Everett à BBC radio 4 pode ser ouvida aqui, em MP3.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Seminário Nacional de Cultura e Extensão Universitária

Participei durante os dias 20, 21, 22 e 23 de maio do Seminário Nacional de Cultura e Extensão Universitária, em São João del-Rei, MG. O evento foi realizado pelos Ministérios da Cultura e da Educação e contou com verbas do Fundo Nacional de Cultura. O Programa Extensão Universitária (ProExt Cultura), a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e a Fundação de Apoio à UFSJ (FAUF) promoveram o encontro.

O principal objetivo do seminário foi contribuir para a construção de uma política nacional de cultura e extensão universitária e teve a participação de projetos contemplados nas edições de 2007 e 2008 do ProExt Cultura, além de docentes, discentes e instituições de ensino públicas.

São joão del-Rei
O evento não poderia ter sido em outra cidade. São João del-Rei, Capital da Cultura 2007, concilia desenvolvimento econômico e preservação do patrimônio artístico e cultural, tendo em vista as receitas geradas pelo turismo. Vizinha à Tiradentes, é parte da história do país e faz questão de preserva-la. Para um município com menos de 100 mil habitantes, que não recebe royalties de petróleo, dá um banho em Campos. Não só pelas ruas conservadas, patrimônios históricos preservados e apoio a cultura local, mas pela dignidade no rosto de seus moradores.

Igreja de São francisco de Assis (1774)

No horário de saída das escolas, centenas de estudantes se concentram em frente às escolas públicas, todas que vi eram em prédios históricos. Conversando com moradores, descobri que as escolas particulares são minoria.

Apesar de ainda conservar ruas seculares de pé-de-moleque, não há buracos, desníveis ou bueiros destampados. O Rio das Mortes, que corta a cidade, escoa por um canal urbano, margeado por um gramado. Uma boa dica do que a prefeitura de Campos poderia fazer com o canal Campos-Macaé (vulgo valão). Outra iniciativa que observei foi a utilização de imóveis antigos para sediar repartições públicos, como a câmara municipal, o forum, secretarias e outros.

Pisos de pedra seculares mais bem conservados que ruas campistas asfaltadas a menos de 5 anos.


O Rio das Mortes corta a cidade.

Secretaria Municipal de Fazenda, em prédio histórico.

A cidade é a única no mundo a produzir utensílios de estanho próprio para consumo (taças, copos, jarras...), pois não utiliza chumbo em sua composição (em outros locais, o uso do metal pesado torna tóxico o alimento que entra em contato com os utensílios, sendo estes, meramente decorativos). A produção, na maioria dos casos, é artesanal e feita pelas próprias lojas em uma fábrica que fica nos fundos - o que não diminui seus preços.

Fabricação artesanal de utensílios de estanho.

O seminário
A UFSJ sediou o evento. As instalações da universidade são antigos seminários de padres, sendo formada por prédios históricos belíssimos. São 6 campi, três na cidade e os outros em cidades próximas . Devido ao ReUni, a administração está construindo um novo campus.

Além de discutir e refletir sobre a política extencionista nacional, o seminário buscou realizar encontros entre provocadores de áreas afins. Como não podia deixar de ser, busquei frequentar os espaços destinados ao audio-visual. A primeira constatação foi o elevado número de cineclubes. De norte a sul há pessoas utilizando a ferramenta audiovisual para modificar o olhar de comunidades tradicionais e/ou menos favorecidas. Seja pela exibição periódica de filmes ou pela produção cinematográfica.

Oficina: Produção de Conteúdo Audio-visual e linguagens alternativas

Outra ferramenta extencionista que tem ganhado espaço são as radios web, programas de rádio disponbilizados em sítios na internet, onde o ouvinte pode assistir e comentar os temas discutidos. Assim, comunidades tem tido a possibilidade de passar seu recado e discutir problemas próximos à sua realidade com um baixo custo e supervisão de universidades.

Alguns links que anotei:

Radio Web da UFPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa)
Bandejão 1047, da UFES (Universidade Federal do Espirito Santo)
Conselho Nacional de Cine Clubes
Festival 2 minutos, da UFSCAR (Universidade Federal de São Carlos, SP)

Além de mesas-redondas, palestras e comunicações, houve também apresentação de trabalhos extencionistas e atividades culturais, como: show de samba, visita espetáculo ao Teatro Municipal, coquetel e apresentação de grupos artísticos. Ou seja, além de aproveitar o seminário, deu pra conhecer a cidade e curtir a noitada sãojoanense.

Samba com o Grupo Cordas de Aço


Visita espetáculo ao Teatro Municipal