segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Novos ares

Prezados leitores, seguidores e eventuais visitantes,

Este blogue está de mudança. Digo, quem se mudará de fato, sou eu. O Dendrito permanecerá funcionando no mesmo endereço, porém, as postagens serão feitas de Imperatriz, município do estado do Maranhão.

Em fevereiro passado fiz prova de concurso público para o cargo de Analista Ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, passei e fui nomeado a assumir o cargo no último dia 14. Tomo posse no início de setembro em Brasília/DF e, depois, ficarei um mês em Iperô/SP fazendo o Curso de Gestão da Biodiversidade e Unidades de Conservação, na Floresta Nacional de Ipanema (durante este período ficarei com dificuldades técnicas em acessar a internet, portando, o movimento aqui será menor do que já é, rsrs).

Em outubro terei de me apresentar em Imperatriz, onde irei gerir a Reserva Extrativista do Ciriaco (notícias na net sobre Ciriaco- aqui e aqui). Se trata de um antigo Quilombo em que a comunidade pratica o manejo sustentável do Babaçú, um coco usado na produção de óleos e cosméticos. Quem tem o Goolge Earth em casa pode ver a reserva na seguinte coordenada geográfica: 5°14'37.59"S e 47°49'35.10"O.

Mapa de localização da Resex do Ciriaco em relação ao estado do Maranhão (clique para ampliar).

Resex do Ciriaco, a imagem está ruim, mas dá pra observar a parte verde, mais bem conservada, e o entorno desmatado (clique para ampliar). O rio que passa ao lado é o Tocantins.

De acordo com a lei nº 9985/2000 , reserva extrativista "é uma área utilizada por populações extrativistas tradicionais, cuja subsistência baseia-se no extrativismo e, complementarmente, na agricultura de subsistência e na criação de animais de pequeno porte, e tem como objetivos básicos proteger os meios de vida e a cultura dessas populações, e assegurar o uso sustentável dos recursos naturais da unidade." Ela é de domínio público e as comunidades tradicionais tem direito de uso. Desta forma, meu trabalho lá transcenderá a biologia. Terei que desenvolver trabalhos etnográficos e ligados a sociologia. Uma puta experiência.

Em fim, mais que noticiar o fim da era de desocupado (desempregado mesmo...), gostaria de antecipar que em breve vocês terão aqui um canal de comunicação direto sobre a natureza e a cultura maranhense. Espero continuar contando com a visita de vocês. Naturalmente, meu interesse em divulgar temas campistas diminuirá com o tempo, mas, espero acompanhar notícias da cidade pelos blogues que costumo ler.

Em breve, mais notícias - e fotos - do que será a maior aventura da minha vida (até então).

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Volta Ciclística São Salvador - 2009

Fotos: Yuri Amaral

Ah... estava com saudade de fotografar.


Foi realizada hoje mais uma edição da Volta Ciclística São Salvador. Os atletas deram a largada em frente à Câmara Municipal, na Alberto Torres e passaram pela 28 de Março, Formosa e Beira Valão (Canal?) antes de completar a volta. Como no ano passado, fiquei sabendo da corrida meio que por acaso, corri para buscar a máquina e queimei ao sol da planície até me sentir satisfeito.

Mais que uma competição - que vale pontos de classificação para torneios nacionais e internacionais - a Volta Ciclística é uma vitrine para Campos, para mal ou para bem. Se por um lado os atletas gostam de correr na cidade, principalmente pelo apoio da população que comparece em peso ao longo de todo o percurso, por outro o município mostra desorganização ao não conseguir isolar apropriadamente a pista. De qualquer maneira, é um espetáculo esportivo e um ótimo programa para a manhã de feriado.

Como ciclista - de dia-a-dia, não profissional - considero a competição importante para a valorização do ciclismo, principalmente em campos que possui a topografia ideal para a prática do esporte. A bicicleta é um veículo não-poluente, o que por si só já é uma vantagem em tempos de aquecimento global, e ajuda a manter o condicionamento físico, o bem estar e a saúde.

Para conseguir este efeito de velocidade nas fotos usei uma técnica simples que consiste em reduzir a velocidade do obiturador e disparar a foto acompanhando o movimento do objeto com a torsão do tórax. Desta forma, o objeto fica nítido, quase congelado, enquanto o ambiente à sua volta fica borrado, dando a sensação de movimento. Usei a mesma técnica na Cavalhada de Santo Amaro.

Ah, sim! Quem ganhou em cada categoria? Procure na imprensa, não anotei os resultados. rsrsrs

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

MP 458

Como eu já havia comentado aqui (1 e 2), a MP 458, que trata da regularização fundiária da amazônia legal ainda vai dar muito o que falar. Para entender um pouco mais sobre as consequências da nova lei a BBC Brasil preparou uma série de reportagens sobre o tema. Mesmo sendo uma agência de notícias pública britânica, esclarece muita coisa sobre a situação fundiária, política e econômica da amazônia legal.

Link direto aqui.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Saiu Barato

O Bank of American concordou em pagar multa de U$ 33 milhões (R$ 65,50 mi) por ter pago bônus à altos executivos, mesmo tendo dito que não faria isto. O banco recebeu mais de U$ 40 bi de ajuda financeira do contribuinte norte americano e pagou um bônus de U$ 3,5 bi a alguns de seus abastados funcionários.

O valor da multa excede em pouco mais de um quinto a multa máxima prevista na legislação ambiental, de R$ 50 milhões.

No fundo, o acordo/multa, saiu barato.

Da BBC Brasil.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Diga não ao tráfico de animais!


O Dendrito tomou conhecimento e resolveu apoiar a campanha "Isto acontece porque você compra" do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), para conscientizar a população sobre a questão do comércio ilegal de animais silvestres. A campanha consiste na distribuição de peças gráficas (posters, adesivos, cartazes) com imagens impactantes de animais mortos e promoção de palestras sobre o tráfico de animais silvestres. Atualmente milhares de animais silvestres da fauna brasileira são exterminados devido a maus tratos empregados no tráfico ilegal. Estima-se que a sobrevivência ao transporte de muitas espécies seja de 10% (a cada 10 animais capturados, 1 chega vivo ao comprador ilegal). Por mais bonitinhos e divertidos que sejam, o comércio ilegal destes animais é proibido pela lei federal n° 5.197/67.

Embora a morte direta durante o transporte e captura seja um dos maiores problemas relacionado ao tráfico, a falta de informações sobre o comportamento, tamanho máximo atingido e dieta por por parte do comprador acabam por resultar em outra questão importante: a bioinvasão por expécies exóticas. Muitas pessoas, depois de adquirir um animal, acaba por se cansar dele, seja porque não sabe cuidar, o bicho cresce demais, ou mesmo perde o interesse, e acha que o melhor a fazer é solta-lo em ambientes selvagens. O problema é que nem sempre o animal ocorre naturalmente neste ecossistema e pode competir e reduzir a população de espécies autóctones.

Este foi o caso da introdução de duas espécies de sagui na reserva Poço das Antas, no município de Silva jardim. Diversos indivíduos de sagui como o sagüi-de-tufo-branco (Callithrix jacchus), nativo do nordeste Brasileiro e o sagüi-de-tufo-preto (Callithrix penicillata), nativo dos Estados de Goiás, São Paulo, Minas Gerais e interior da Bahia, foram deliberadamente soltos no ambiente e aumentaram em grande número. A competição por recursos com o mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia), acabaram por reuzir significativamente a população do segundo que é endêmico a região (só ocorre lá). O resultado é que hoje os administradores da Unidade de Conservação têm praticado ações de manejo que incluem castração e eutanásia de saguis para garantir a sobrevivência dos mico-leão-dourados.

Outro problema relacionado à soltura de animais sem o devido cuidado é a introdução de doenças adquiridas no cativeiro nas populações silvestres. Sem contar que a chance de sobrevivência no meio selvagem de um animal que ficou enjaulado por longo período é muito curta.

Caso a pessoa resolva se desfazer de um animal adquirido, mesmo que ilegalmente, o melhor a fazer é entregá-lo ao IBAMA, a um Centro de Triagem (CETAS), ou, de Reabilitação. O decreto federal nº 6514, de 2008, garante a não aplicação da pena a pessoa que espontaneamente devolver às autoridades competentes um animal sem origem controlada.

É bom lembrar que a venda, criação e abate de animais silvestres é regulamentada por diversas resoluções do CONAMA (Conselho Nacional de Meio Ambiente), orgão consultivo da Política Nacional de Meio Ambiente, e pode ser praticada desde que se obtenha autorização do orgão competente - na maioria das vezes, o IBAMA. Isto quer dizer que, se alguém tem interesse em ter um animal da fauna silvestre como pet, deve seguir uma série de normas e estar cadastrado no SISFAUNA (Sistema de Gerenciamento da Fauna) para ter sua situação legalizada e poder garantir o bem estar e saúde do animal e seu dono, além de ter a garantia da origem do bicho.

Quem tiver mais interesse sobre a campanha pode ler o Relatório Semestral ou acessar o sítio do IBAMA (lá encontra-se toda a legislação vigente).

Para a mídia, reproduzo uma série de recomendações sobre a exibição de programas sobre fauna, do relatório citado (O Richard Rasmussen deveria dar uma olhada nisso):

1) Não exibir animal silvestre sem origem legal;
2) Cuidado ao exibir animais silvestres com origem legal: isso também pode estar estimulando o
consumo dos animais sem origem;
3) Não estimular o consumo ou recomendar o animal silvestre como pet;
4) Não exaltar características do animal silvestre como afetividade com humanos, doçura, inteligência para aprendizado, etc;
5) Não perseguir ou apanhar animais silvestres, mesmo que para soltura imediata;
6) Não demonstrar ou descrever técnicas de captura do animal silvestre;
7) Não divulgar o valor do animal no comércio ilegal ou mesmo legal;
8 ) Em dramaturgia (novela, cinema, teatro) evitar exibir animais silvestres em cativeiro, ainda que tenham origem legal;
9) Se for utilizar animais silvestres oriundos de criadouros, checar antes com o Ibama a situação
desse criadouro junto ao órgão;
10) Não produzir provas, desafios, concursos com animais silvestres e muito menos premiar os
proprietários desses animais;
11) Em reportagens sobre o tráfico, ao exibir os métodos cruéis, esclarecer ao espectador que não se deve comprar o animal silvestre para cessar aquela situação, pois isso só aumenta a captura;
12) Não humanizar animais silvestres, por mais agradável ou engraçado que possa parecer (colocar roupinhas, fazê-los executar jogos, operar brinquedos, etc.);
13) Desmistificar sempre as crendices associadas aos animais, como: sorte, azar, atrai amor, cura
doenças, etc;
14) Lembrar que animais ideais para viver ao lado dos humanos são os animais domésticos;
15) Estimular e agregar valores à observação de animais em vida livre;
16) Preocupar-se com a produção de sentido. Perguntar sempre: que efeito essa apresentação vai gerar na cabeça do espectador?

[Modificado dia 25/07 para corrigir informações]

terça-feira, 21 de julho de 2009

Praças para Campos

Este mês o tema da Rede Blog é: "Praças - opções de lazer infantil em Campos". A sugestão do blogueiro Jules Rimet venceu por W.O., pois não houve outra sugestão. Bem, seguindo a linha do Dendrito em priorizar temas ambientais e culturais, tratarei da importância das praças e parques urbanos na educação ambiental e na melhoria da qualidade de vida e como Campos ganharia se tivesse uma política pública voltada para isso.

Fotos: Yuri Amaral

As praças tiveram sua origem nos primeiros centros urbanos da Grécia e Roma antiga e servem como local de passagem e socialização. São áreas públicas propícias a manifestações políticas e culturais e algumas delas foram palco de importantes momentos na história da humanidade. As praças representam ilhas horizontais em meio à verticalização cada vez mais intensa das cidades modernas, possibilitando a observação da paisagem ao redor. Pode-se considerar também como praças áreas não urbanizadas como as praias.


Praças possibilitam a criação de áreas verdes em meio à selva de pedra. Refúgio para animais, como nós, que precisam de alguns minutos de descanso sob a sombra de uma árvore entre uma atividade e outra. Ouvir os pássaros, o barulhinho da fonte, o cri-cri da cigarra, e ver a criançada brincar. Para os pequenos representa até mais, pois constitui um local próprio às atividades lúdicas de socialização e aprendizado, sendo uma importante ferramenta para a prática da educação ambiental para a geração do apartamento.


O uso de brinquedos coletivos estimula o senso de civilidade e altruísmo, além de possibilitar o relacionamento entre crianças de diferentes origens e classes sociais. A sociedade não é homogênea e o cidadão precisa ter ciência disso desde a infância. Ainda, constitui um importante espaço à prática de esportes, atividade essencial à melhoria da qualidade de vida.


No quesito praças e opções de lazer – não só infantil – Campos mantêm sua reputação de péssima administração. Não que a cidade tenha poucas praças, mas elas são concentradas nas regiões mais ‘nobres’ e, mesmo assim, costumam estar mal conservadas e/ou não oferecem segurança aos visitantes. Um caso crônico é a praça que fica atrás da rodoviária velha (não lembro o nome). Apesar de possuir diversos locais para a prática de esporte e acesso à internet, é muito pouco frequentada devido aos constantes assaltos e ao estado de conservação. Já vi inúmeras obras lá, uma em andamento, mas a situação nunca melhorou.


Alguns casos bem sucedidos se perderam com o tempo, como a Pracinha do Liceu, que apesar de receber inúmeras pessoas e ter passado por uma reforma recente, pouco a pouco está se deteriorando. Se é assim em bairros assistidos pelo poder público, o que dizer sobre os bairros periféricos? As praças que vi em periferias se resumem a bancos de cimento, brinquedos quebrados e quadras de futebol. Raramente à jardins, árvores, fontes de água potável ou estão conservadas.


O poder municipal deve olhar com mais atenção para as praças e jardins da cidade. Além do papel paisagístico e cultural, esses espaços contribuem para a qualidade de vida da população e consequente elevação do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), além de ser uma importante opção de lazer para a família.

[Nas fotos: Apresentação da Dixie Square Band, durante o III Imagem Jazz & Blues, na Praça São Salvador. Ato público Chega de Palhaçada, organizado pela internet e realizado no calçadão do centro, ou Largo da Imprensa. Apresentação de Capoeira no pátio da prefeitura de Campos. Exemplos dos diversos usos de praças públicas. ]

sexta-feira, 17 de julho de 2009

BR-319 só sai com cumprimento integral das condições ambientais, diz Carlos Minc

Amanda Mota
Repórter da Agência Brasil

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, reiterou hoje (16), em Manaus, que o licenciamento ambiental da restauração e pavimentação da Rodovia BR-319 – que liga as capitais do Amazonas e de Rondônia - só sairá quando realmente forem cumpridas todas as condições ambientais exigidas.

Ele reforçou os pré-requisitos estabelecidos para a efetivação da obra (em um trecho de 400 quilômetros da estrada), que incluem a implantação de 28 unidades de conservação, sendo 11 unidades federais e 17 estaduais (nove no Amazonas e oito em Rondônia).

“Cabe a nós, como órgão licenciador, exigir que essas condições sejam cumpridas nessas 28 áreas e que somam mais de 10 milhões de hectares. Uma vez cumpridas todas as condições, não haverá mais nenhum problema. Não se pode imaginar que o licenciamento aconteça na área mais preservada sem que essas condições sejam completadas e previamente cumpridas”, reforçou.

Segundo Minc, a opinião do ministério é que a solução de mais baixo impacto seria uma hidrovia ou uma ferrovia para essa área. “Contudo, como o governo se decidiu pela estrada, criamos um grupo de trabalho formal, com governo estadual, universidade federal, Ministério dos Transportes, Ibama e Instituto Chico Mendes e esse grupo estabeleceu as pré-condições”, acrescentou.

A construção da BR-319 aconteceu na década de 1970. A falta de conservação da rodovia, entretanto, inviabilizou o trânsito na área. Na avaliação do ministro, exigir o cumprimento integral dos pré-requisitos para esta obra significa garantir que problemas ambientais futuros aconteçam.

O ministro citou o caso da BR 163 (Cuiabá-Santarém), ressaltando que grandes prejuízos ambientais ocorreram após a autorização da obra por causa da não obrigatoriedade das condições ambientais. Minc enfatizou que a extensão territorial da BR-319 é a área mais preservada da Amazônia.

Fonte: Agência Brasil ( O conteúdo deste site é publicado sob uma Licença Creative Commons Atribuição 2.5. Brasil.).