Mostrando postagens com marcador conservação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador conservação. Mostrar todas as postagens

sábado, 20 de março de 2010

Maranhão em Photos - Carolina

Sul do maranhão. O cerrado toma conta do cenário: chapadas e serras a perder de vista. Assim é Carolina, município onde fica a Chapada das Mesas.

Fotos: Yuri Amaral

Pense numa estrada?


Agora pense de novo...


A paisagem logo na chegada já é de tirar o fôlego.


A vegetação esconde o terreno acidentado da região, que forma riachos transparentes de água potável. A coloração vermelha é da areia, que sedimenta logo após ser revolvida.


Carolina é conhecida pelas suas cachoeiras...


grutas...


e canyons.


A vida se desenvolve onde pode. No solo, ou nos ramos retorcidos do cerrado.



O potencial ecológico e turístico chamou a atenção do governo federal, que criou o Parque Nacional Chapadas das Mesas para conservar parte do bioma.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Terra

Chega de marasmo!! Andaram reclamando que eu abandonei o Dendrito. Pois bem, mãos à obra!

Texto e fotos: Yuri Amaral

Hoje, depois de uma breve corrida na Beira Rio de imperatriz/MA, fui comprar um milho cozido na banca de um senhor e me deparei com um assunto que tenho convivido muito ultimamente: a questão da distribição de terras no Brasil. A conversa foi curta, assim:

- Boa noite, me vê um milho, senhor.
- Na hora, moço. Esse milho aqui tá bom.... foi 'quebrado' hoje!
- E é, foi colhido hoje? O senhor que plantou?
- Que nada, seu eu tivesse uma terrinha não tava aqui. Tava trabalhando na roça.

Bem, essa é uma realidade bem conhecida pelas famílias brasileiras. Ou ao menos deveria ser. A maioria das propriedades rurais no Brasil está na mão de poucos abastados, os famosos latifundiários, que insistem em produzir soja, cana-de-açúcar e boi, com altíssimos financiamentos públicos. Estas culturas, a despeito de gerarem uma percela importante do PIB nacional, estão voltadas principalmente para a exportação, empregam pouca mão de obra, concentram renda, desmatam e empobrecem a terra. A questão econômica, espelhada no PIB, parece iludir a população, que pensa que pelo Brasil ser rico em áreas agriculturáveis tem a vocação para o agronegôcio, devendo ser esse o principal produto de exportação. Brasil: a fazenda do mundo.


E os caras estão conseguindo isso. Tramita no congresso o projeto de lei do Novo Código Ambiental Brasileiro (Projeto de Lei 5367/09) transvestido de moderno, ecológico e economicamente sustentável, busca nas entrelinhas desmontar principalmente o Código Florestal Brasileiro, levando de arrasto a Lei de Crimes Ambientais, a Política Nacional de Meio Ambiente e o Sistema Nacional de Unidades de Conservação, diplomas reconhecidos internacionalmente como dos mais modernos no mundo no que tange à conservação da biodiversidade e proteção ambiental.

A cara do desmatamento. A regra nas grandes ropriedades é o desmatamento. Não sobra nem a mata ciliar dos rios.

Como um dos passos para a aprovação do referido código, a Frente Parlamentar da Agropecuária (é importante frisar que este é um projeto uni-lateral, que só interessa ao agronegócio) teve de realizar uma série de audiências públicas em todos os estados brasileiros. Eu estive presente na audiência do maranhão, que ocorreu aqui, em Imperatriz. Saí de lá mareado. Havia uma platéia de cerca de 200 pessoas, sendo a esmagadora maioria composta de ruralistas, entre pequenos, médios e grandes. Havia também um punhado de ativistas do movimento social, mas logo na chegada pensei: "Qual a representatividade desta audiência? Será que toda a sociedade está participando do debate?". Não, não estava.

Basicamente o que se discutiu foi a necessidade de diminuir o percentual da Reserva Legal dentro das propriedades e excluir alguns estados da amazônia legal (onde o proprietário só pode desmatar 20% da floresta). Claro, não faltaram críticas ao IBAMA e ao Ministério do Meio Ambiente. Apenas um deputado estadual palestrou de forma coerente, alinhado aos pequenos produtores, lembrou da época que imperatriz se orgulhava em ter recebido o título de 'Portal da Amazônia'. E hoje, meia dúzia de boca-aberta querem tirar o maranhão da amazônia legal.

Ficou claro que os grandes interessados em modificar a legislação ambiental brasileira são os latifundiários. Cansados de serem multados pelo IBAMA buscam a anistia, com a desculpa de que a única saída para o Brasil é o agrobusiness. Enquanto isso, a Índia pela primeira vez na história do país, teve a indústria como principal setor da economia a contribuir no PIB, passando a agropecuária em importância.

O mais recente Censo Agropecuário no Brasil trouxe consigo uma verdade incômoda aos latifundiários: "a pobre agricultura familiar, com apenas 24,3% (ou 80,25 milhões de hectares) da área agrícola, é responsável por 87% da produção nacional de mandioca, 70% da produção de feijão, 46% do milho, 38% do café , 34% do arroz, 58% do leite, 59% do plantel de suínos, 50% das aves, 30% dos bovinos e, ainda, 21% do trigo. A cultura com menor participação da agricultura familiar foi a soja (16%). O valor médio da produção anual da agricultura familiar foi de R$ 13,99 mil, segundo o IBGE. Quando se fala em agricultura orgânica, chega a 80%. Além do mais, provou que tem peso econômico, sendo responsável por 10% do PIB Nacional." (Roberto Malvezzi, o Gogó).

Toda essa contribuição da agricultura familiar, que é mais sustentável, tem mais rendimento e emprega mais, recebeu apenas R$ 13 bilhões do governo em 2008, contra R$ 100 bi recebidos pelo agronegócio.

Fico pensando no senhor que me vendeu o milho. Tanta coisa pra alguém almejar, e ele só quer uma terra, algumas linhas pra plantar um milho, uma mandioca, um arroz. Comida.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Parque Estadual Intervales

Fotos: Yuri Amaral

Boa parte da trilha é percorrida por rio.

Como mencionei na postagem anterior, estou morando temporariamente na Floresta Nacional de Ipanema, em Iperó/SP, onde está sediada a Academia Nacional da Biodiversidade (Acadebio), centro de formação e treinamento dos funcionários do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Para escapar da disciplina rígida e descansar a mente das longas jornadas de aula, passei o fim de semana passado no Parque Estadual Intervales, uma unidade de conservação de proteção integral do estado de São Paulo, com alguns dos novos colegas sediados em algum lugar remoto da amazônia legal. Me encantei com o que vi e resolvi contar (e mostrar) como foi o passeio neste lugar maravilhoso.

O parque possui pousadas muito bem estruturadas que foram instaladas nas casas dos antigos moradores, desapropriadas quando da demarcação da unidade. Os quartos são como albergues, com beliches e dependências comuns. Ocupamos quatro quartos na pousada Onça Pintada, a R$ 25,00 a diária. A área total do parque compreende 41.700 ha, abrangindo cinco municípios do Vale do Ribeira e Alto Paranapanema - por isso inter-vales.

Pousada Onça Pintada.

Saímos no domingo pra percorrer a trilha da Gruta Luminosa, num total de 20 Km entre trechos de rios, trilhas e cavernas. Levamos 7 horas, entre 10h e 17h, como o dia estava nublado, não foi tanto cansativo.



As flores dão um show a parte.

O Parque possui flora e fauna riquíssimas. A cada curva, bromélias, orquídeas e outras plantas floridas e seus insetos disporsores em volta. Como o grupo era formado majoritariamente por biólogos, as paradas para observações eram inevitáveis. Podemos observar um tucano (o fotógrafo aqui deu mole e o bicho voou antes de conseguir sacar a máquina), um bugio (espécie de primata) e indícios de anta, fora insetos dos mais diversos.

Bugio observando curioso seus parentes de roupas.


Um curioso besouro (os preferidos de Darwin).


Nem sempre é necessário ver o animal para saber que ele ocorre no lugar. A pegada deixa claro que uma anta passou aqui pouco antes de nós.

Ninho de alguma ave (não sei qual...). Só o homem faz arte?


Apenas observando a serrapilheira pode-se reparar na diversidade no local. Pouco a pouco as folhas, galhos e animais mortos vão sendo decompostos para enrriquecer o solo e manter o ciclo de reciclagem dos nutrientes da floresta.


Pequeno trecho dominado por samambaias gigantes. As pteridóphilas foram as primeiras plantas a apresentar crescimento arbóreo ao longo da caminhada evolutiva.

As cavernas são um espetáculo a parte. Em Intervales, há 45 cavernas. Em algumas, são necessárias 2 horas para visitar todos os salões. Visitamos duas, porém, a mais bacana foi a Luminosa, com uma queda d'água iluminada que dá um efeito fantástico.


A tropa dos novos analistas ambientais do ICMBio. Apenas uma amostra, no total são 175. Na extrema esquera, Robisson, nosso guia.




Cachoeira Luminosa, o banho é gelado, mas, depois de horas caminhando, recompensador.

Se alguém quiser visitar, o parque fica a 25 km de Ribeirão Grande/SP. Fone: (15) 3542-1511 ou 3542-1245. E-mail: pe.intervales@fflorestal.sp.gov.br

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Novos ares

Prezados leitores, seguidores e eventuais visitantes,

Este blogue está de mudança. Digo, quem se mudará de fato, sou eu. O Dendrito permanecerá funcionando no mesmo endereço, porém, as postagens serão feitas de Imperatriz, município do estado do Maranhão.

Em fevereiro passado fiz prova de concurso público para o cargo de Analista Ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, passei e fui nomeado a assumir o cargo no último dia 14. Tomo posse no início de setembro em Brasília/DF e, depois, ficarei um mês em Iperô/SP fazendo o Curso de Gestão da Biodiversidade e Unidades de Conservação, na Floresta Nacional de Ipanema (durante este período ficarei com dificuldades técnicas em acessar a internet, portando, o movimento aqui será menor do que já é, rsrs).

Em outubro terei de me apresentar em Imperatriz, onde irei gerir a Reserva Extrativista do Ciriaco (notícias na net sobre Ciriaco- aqui e aqui). Se trata de um antigo Quilombo em que a comunidade pratica o manejo sustentável do Babaçú, um coco usado na produção de óleos e cosméticos. Quem tem o Goolge Earth em casa pode ver a reserva na seguinte coordenada geográfica: 5°14'37.59"S e 47°49'35.10"O.

Mapa de localização da Resex do Ciriaco em relação ao estado do Maranhão (clique para ampliar).

Resex do Ciriaco, a imagem está ruim, mas dá pra observar a parte verde, mais bem conservada, e o entorno desmatado (clique para ampliar). O rio que passa ao lado é o Tocantins.

De acordo com a lei nº 9985/2000 , reserva extrativista "é uma área utilizada por populações extrativistas tradicionais, cuja subsistência baseia-se no extrativismo e, complementarmente, na agricultura de subsistência e na criação de animais de pequeno porte, e tem como objetivos básicos proteger os meios de vida e a cultura dessas populações, e assegurar o uso sustentável dos recursos naturais da unidade." Ela é de domínio público e as comunidades tradicionais tem direito de uso. Desta forma, meu trabalho lá transcenderá a biologia. Terei que desenvolver trabalhos etnográficos e ligados a sociologia. Uma puta experiência.

Em fim, mais que noticiar o fim da era de desocupado (desempregado mesmo...), gostaria de antecipar que em breve vocês terão aqui um canal de comunicação direto sobre a natureza e a cultura maranhense. Espero continuar contando com a visita de vocês. Naturalmente, meu interesse em divulgar temas campistas diminuirá com o tempo, mas, espero acompanhar notícias da cidade pelos blogues que costumo ler.

Em breve, mais notícias - e fotos - do que será a maior aventura da minha vida (até então).

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Deputados de Santa Catarina parecem não ter aprendido com a enchente

A Assembléia Legislativa de Santa catarina aprovou no dia 31 de março o Código Florestal do estado. A medida tem dado o que falar pois o codigo aprovado é menos restritivo que o Código Florestal Federal em relação á Área de Preservação Permanente (APP) ao longo de córregos. A lei federal exige uma área de 30 metros para rios de 5 metros de largura, o código estadual exige apenas 5 metros. O Código aguarda sanção do governador do estado.

Na prática, o código legalizará propriedades que desrespeitam a APP regulamentada pela lei Federal. Mas a confusão ficará mesmo a cargo dos analistas ambientais do IBAMA e fiscais ambientais. O ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) já avisou que sancionada ou não os agentes do IBAMA seguirão as normas da lei Federal, pois, uma lei estadual não pode ser menos restritiva que a federal. Este pensamento é compartilhado com a Procuradoria da República, que ignorará o novo código.

O código estadual tem amplo apoio da bancada ruralista de Santa catarina, que parece não ter aprendido com a tragédia de novembro passado. A mata ciliar é tida como a principal arma contra o assoreamento de rios e enchentes, pois elas protegem as margens de rios e cursos d'água contra a erosão e auxiliam na infiltração da água da chuva nos solos, evitando que rios tenham a vazão aumentada rapidamente e ocasionem enchentes.

Se a lei for sancionada, o estado de santa catarina estará dando um passo para trás na preservação do meio ambiente e na prevenção de enchentes. A redução das APPs em rios atende apenas ao interesse de produtores rurais, um setor com forte influência política e econômica, tendo em vista os empregos e divisas gerados. Mas a sociedade é composta por setores diversos e decisões políticas devem estar de acordo com esta pluralidade.

O Agronegócio não pode querer tudo. Já desmataram a Mata Atlântica; o Cerrado já teve 40% de sua área desmatada para o plantio de soja; a amazônia está sendo explorada de forma predatória por criadores de gado e madereiras ilegais; o Pantanal Matogrossense está na mira dos usineiros que tentam derrubar uma lei que proíbe o plantio de cana na região; e, agora, Santa Catarina quer reduzir a APP regulamentada por lei federal.

A custo de que? Se os recursos naturais forem explotados, vai ficar difícil pro próprio agronegócio sobreviver a longo prazo. Será o verdadeiro 'tiro no pé', tendo em vista os serviços ambientais prestados pelas áreas de vegetação nativa, como o controle climático, manutenção do regime hídrico, fornecimento de nutrientes ao solo e controle de pragas, por exemplo.

Enquanto as políticas ambientais forem planejadas por senhores gananciosos e incopetentes, não haverá possibilidade de um futuro sustentável para as novas gerações.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Projeto Liolaemus lutzae









Ontem, em uma viajem despretenciosa a Praia das Neves, município de Presidente kenedy, litoral sul do Espirito Santo, tomei conhecimento de um projeto de conservação de répteis coordenado pelo Prof. Alexandre (Alex) Araújo, da UFRRJ. Foi uma feliz coincidência, no dia em que visitava a praia o grupo de pesquisa do Alex estava desenvolvendo uma atividade extencionista de educação ambiental com crianças da região, com muita música, esposição de artes e cinema pra mulecada.




O projeto visa a conservação da espécie de lagarto Liolaemus lutzae (Mertens, 1938), que é endêmica da Mata Atlântica de Restinga do Rio de Janeiro e está ameaçada de extinção devido a ocupação de seu habitat por áreas urbanas. Restingas são formações vegetais que se desenvolvem no litoral brasileiro e apresentam espécies da mata atlântica, tendo em vista que a principal ocupação da terra no Brasil se dá no litoral trata-se de formação vegetal em constante risco de degradação.



A lagartixa-de-areia, como é conhecida, ocupa o infra litoral das praias onde busca por formigas e plantas, sua principal fonte de alimento. A ocorrência da espécie era limitada ao estado do Rio de Janeiro devido a barreira geográfica formada pelo estuário do Rio Paraíba do Sul, que o lagarto não consegue atravessar. Entretanto as características da comunidade da flora e fauna das restingas do Espírito Santo são muito semelhantes às observadas no estado do rio, o que levou o Prof. Alex a introduzir 50 indivíduos de Liolaemus lutzae na restinga de Praia das Neves a fim de preservar a espécie da extinção iminente no Sul do Rio de Janeiro. A introdução foi realizada na década de 80 e hoje a população já ultrapassou os 5000 indivíduos, sem que nenhum prejuízo a outras espécies tenha sido observado neste período de tempo.
Outras espécies se beneficiam com o crescimento da população de lagartixas-de-areia, principalmente as corujas buraqueiras, o carcará e diversas espécies de serpentes que predam o réptil.
O projeto já se encontra na fase final, quando os resultados obtidos são passados para a população local através da Educação Ambiental . A equipe de pesquisa forma também uma banda psicodélica, com composições próprias que falam da preservação do ambiente e da ecologia da espécie alvo do projeto.




Porém o grupo do Prof. Alex ainda têm muito com o que se preocupar. Os governantes e políticos do município e estado do Espirito Santo pretendem construir um porto para escoamento da produção de minério de Minas Gerais justamente na área onde o projeto é desenvolvido e onde se encontra a maior restinga do ES. Mais uma vez os remanescentes de área preservada se vêm ameaçadas em nome do progresso e desenvolvimento.

Desejo sucesso aos pesquisadores e estudantes envolvidos na conservação do L. lutzae, e espero que a população perceba a importância de se preservar a restinda de Praia das Neves.