domingo, 21 de março de 2010

Urucum na Cara

Apresentação da banda Urucum na Cara, de Belo Horizonte.

sábado, 20 de março de 2010

Maranhão em Photos - Carolina

Sul do maranhão. O cerrado toma conta do cenário: chapadas e serras a perder de vista. Assim é Carolina, município onde fica a Chapada das Mesas.

Fotos: Yuri Amaral

Pense numa estrada?


Agora pense de novo...


A paisagem logo na chegada já é de tirar o fôlego.


A vegetação esconde o terreno acidentado da região, que forma riachos transparentes de água potável. A coloração vermelha é da areia, que sedimenta logo após ser revolvida.


Carolina é conhecida pelas suas cachoeiras...


grutas...


e canyons.


A vida se desenvolve onde pode. No solo, ou nos ramos retorcidos do cerrado.



O potencial ecológico e turístico chamou a atenção do governo federal, que criou o Parque Nacional Chapadas das Mesas para conservar parte do bioma.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Terra

Chega de marasmo!! Andaram reclamando que eu abandonei o Dendrito. Pois bem, mãos à obra!

Texto e fotos: Yuri Amaral

Hoje, depois de uma breve corrida na Beira Rio de imperatriz/MA, fui comprar um milho cozido na banca de um senhor e me deparei com um assunto que tenho convivido muito ultimamente: a questão da distribição de terras no Brasil. A conversa foi curta, assim:

- Boa noite, me vê um milho, senhor.
- Na hora, moço. Esse milho aqui tá bom.... foi 'quebrado' hoje!
- E é, foi colhido hoje? O senhor que plantou?
- Que nada, seu eu tivesse uma terrinha não tava aqui. Tava trabalhando na roça.

Bem, essa é uma realidade bem conhecida pelas famílias brasileiras. Ou ao menos deveria ser. A maioria das propriedades rurais no Brasil está na mão de poucos abastados, os famosos latifundiários, que insistem em produzir soja, cana-de-açúcar e boi, com altíssimos financiamentos públicos. Estas culturas, a despeito de gerarem uma percela importante do PIB nacional, estão voltadas principalmente para a exportação, empregam pouca mão de obra, concentram renda, desmatam e empobrecem a terra. A questão econômica, espelhada no PIB, parece iludir a população, que pensa que pelo Brasil ser rico em áreas agriculturáveis tem a vocação para o agronegôcio, devendo ser esse o principal produto de exportação. Brasil: a fazenda do mundo.


E os caras estão conseguindo isso. Tramita no congresso o projeto de lei do Novo Código Ambiental Brasileiro (Projeto de Lei 5367/09) transvestido de moderno, ecológico e economicamente sustentável, busca nas entrelinhas desmontar principalmente o Código Florestal Brasileiro, levando de arrasto a Lei de Crimes Ambientais, a Política Nacional de Meio Ambiente e o Sistema Nacional de Unidades de Conservação, diplomas reconhecidos internacionalmente como dos mais modernos no mundo no que tange à conservação da biodiversidade e proteção ambiental.

A cara do desmatamento. A regra nas grandes ropriedades é o desmatamento. Não sobra nem a mata ciliar dos rios.

Como um dos passos para a aprovação do referido código, a Frente Parlamentar da Agropecuária (é importante frisar que este é um projeto uni-lateral, que só interessa ao agronegócio) teve de realizar uma série de audiências públicas em todos os estados brasileiros. Eu estive presente na audiência do maranhão, que ocorreu aqui, em Imperatriz. Saí de lá mareado. Havia uma platéia de cerca de 200 pessoas, sendo a esmagadora maioria composta de ruralistas, entre pequenos, médios e grandes. Havia também um punhado de ativistas do movimento social, mas logo na chegada pensei: "Qual a representatividade desta audiência? Será que toda a sociedade está participando do debate?". Não, não estava.

Basicamente o que se discutiu foi a necessidade de diminuir o percentual da Reserva Legal dentro das propriedades e excluir alguns estados da amazônia legal (onde o proprietário só pode desmatar 20% da floresta). Claro, não faltaram críticas ao IBAMA e ao Ministério do Meio Ambiente. Apenas um deputado estadual palestrou de forma coerente, alinhado aos pequenos produtores, lembrou da época que imperatriz se orgulhava em ter recebido o título de 'Portal da Amazônia'. E hoje, meia dúzia de boca-aberta querem tirar o maranhão da amazônia legal.

Ficou claro que os grandes interessados em modificar a legislação ambiental brasileira são os latifundiários. Cansados de serem multados pelo IBAMA buscam a anistia, com a desculpa de que a única saída para o Brasil é o agrobusiness. Enquanto isso, a Índia pela primeira vez na história do país, teve a indústria como principal setor da economia a contribuir no PIB, passando a agropecuária em importância.

O mais recente Censo Agropecuário no Brasil trouxe consigo uma verdade incômoda aos latifundiários: "a pobre agricultura familiar, com apenas 24,3% (ou 80,25 milhões de hectares) da área agrícola, é responsável por 87% da produção nacional de mandioca, 70% da produção de feijão, 46% do milho, 38% do café , 34% do arroz, 58% do leite, 59% do plantel de suínos, 50% das aves, 30% dos bovinos e, ainda, 21% do trigo. A cultura com menor participação da agricultura familiar foi a soja (16%). O valor médio da produção anual da agricultura familiar foi de R$ 13,99 mil, segundo o IBGE. Quando se fala em agricultura orgânica, chega a 80%. Além do mais, provou que tem peso econômico, sendo responsável por 10% do PIB Nacional." (Roberto Malvezzi, o Gogó).

Toda essa contribuição da agricultura familiar, que é mais sustentável, tem mais rendimento e emprega mais, recebeu apenas R$ 13 bilhões do governo em 2008, contra R$ 100 bi recebidos pelo agronegócio.

Fico pensando no senhor que me vendeu o milho. Tanta coisa pra alguém almejar, e ele só quer uma terra, algumas linhas pra plantar um milho, uma mandioca, um arroz. Comida.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Oficina PGPM e PAA em Imperatriz

Texto: Virginia Talbot e Yuri Amaral (Analistas Ambientais do ICMBio)

Foto: Yuri Amaral

Publicação e assessoria: Ascom/ICMBio - (61) 3341-9290


Núcleo de Gestão Integrada promove oficina sobre produtos da sociobiodiversidade

Brasília (07/12/09) – Equipe do NGI (Núcleo de Gestão Integrada) de Imperatriz (MA) promoveu, nos dias 26 e 27 de novembro, Oficina de Acesso a Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) e ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). O evento aconteceu na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Imperatriz e contou com a presença de cerca de 30 comunitários das três reservas extrativistas da região do Bico do Papagaio – Ciriaco e Mata Grande, no Maranhão, e Extremo Norte do Tocantins, em Tocantins.

O objetivo da oficina foi levar informações sobre acesso à política de garantia de preços mínimos e ao programa de aquisição de alimentos, contribuindo dessa forma para a estruturação e o fortalecimento de mercados com relação aos produtos da sociobiodiversidade, mostrando a abertura dos mercados locais, regionais e nacional aos produtores extrativistas.

A equipe do NGI contou com o apoio dos servidores do ICMBio Sede (Macroprocesso Populações Tradicionais), Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Ministério do Meio Ambiente (MMA), Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome (MDS) e Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

Estiveram presentes, ainda, representantes de entidades parceiras como sindicatos de trabalhadores rurais dos municípios abrangidos pelas Resex, ONG Centru (Centro de Educação e Cultura do trabalhador Rural) e MIQCB (Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu).

O técnico da Conab em São Luís, Rogério Prazeres, falou sobre a política e o programa, bem como sobre as formas de acesso e documentos necessários para aderir, além de esclarecer as dúvidas do público presente.

O analista ambiental do Instituto Chico Mendes Victor Singh, que atua na área de populações tradicionais, fez esclarecimentos sobre a Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP) e os diferenciais das reservas extrativistas no acesso a este documento, além de informar alguns dos programas que o ICMBio tem oferecido às Resex e outras Unidades de Uso Sustentável (telecentros, telefonia pública entre outros).

O público pôde exercitar o preenchimento de formulários de participação do Programa de Aquisição de Alimentos via internet, gerando debate sobre possíveis produtos que podem ser oferecidos pelos produtores, bem como seus valores de mercado.

O Núcleo de Gestão Integrada fez uma apresentação sobre sua estrutura atual, linhas de ação prioritárias e projetos para o ano de 2010. Foi aberto um momento para intervenções e relatos dos comunitários sobre questões referentes às reservas extrativistas, o que gerou diálogo entre comunitários das três unidades, fortalecendo a união e mobilização coletivas.

Ademar Andrade, sócio da Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas da Mata Grande (Atramag) e membro da diretoria achou os dois dias de evento bastante produtivos. “É bom ver o trabalho da Conab sério e transparente, auxiliando os extrativistas. Foi muito importante ver o que a associação pode fazer, por onde acessar e como fazer. Aprendemos muito. A explicação da Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAF) também foi muito importante, porque muita gente ainda não entendia”, frisou Andrade.

A equipe de analistas do Núcleo de Gestão Integrada aprendeu com a oficina e se capacitou ainda mais para auxiliar os extrativistas a acessarem essas políticas públicas. Os próximos passos são a obtenção da documentação necessária e realização de reuniões com os agroextrativistas para listagem de produtos a serem oferecidos e sua quantidade anual possível, além de contato com entidades próximas interessadas em estabelecer a parceria para execução do Programa de Aquisição de Alimentos.

Participando deste programa a produção local será estimulada, aquecendo o mercado regional e garantindo diversidade e qualidade na alimentação, já que a produção agroextrativista é orgânica e não necessita de conservantes e outros aditivos para transporte, armazenamento e consumo nas localidades próximas, favorecendo a segurança alimentar.

O Núcleo de Gestão Integrada sediado na cidade de Imperatriz/MA busca a gestão integrada das reservas extrativistas da região do Bico do Papagaio, abrangendo a Resex Ciriaco, Resex Mata Grande e Resex Extremo Norte do Tocantins, contando com quatro analistas ambientais e um técnico contratado.

PGA – A Política de Garantia de Preços Mínimos garante preço mínimo aos produtos da sociobiodiversidade, e produtos tais como o coco babaçu e a castanha-do-Brasil são algumas das prioridades dos programas da cadeia da sociobiodiversidade.

Os extrativistas que tiverem acesso a esta política mas que não conseguirem vender seus produtos pelo preço mínimo definido (R$ 1,46 o Kg da amêndoa) terão direito a recursos do governo para que o valor de venda alcance o mínimo nacional.

Já o Programa de Aquisição de Alimentos garante uma reserva de mercado aos produtores, pois habilita escolas públicas, hospitais, creches, asilos entre outras instituições a adquirirem os produtos dos extrativistas.

No caso do babaçu, os principais produtos seriam o óleo, o azeite, a farinha do mesocarpo e as amêndoas, porém outros alimentos cultivados pelos agroextrativistas também podem ser incluídos. A Conab é a entidade responsável por operar a política e o programa.


Veja essa notícia também em: www.icmbio.gov.br

Reportagem da TV Mirante, afiliada da Rede Globo, sobre a oficina: http://imirante.globo.com/noticias/pagina223386.shtml

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Xixi no banho: a animação.

Vídeo sugerido pela Millena Lízia divulgando o Xixi no banho, campanha da S.O.S. Mata Atlântica pela preservação dos nossos recursos hídricos, comentada em outra postagem aqui.

Muito Bom!


terça-feira, 27 de outubro de 2009

Animais bastardos

Fotos: Yuri Amaral

Eu já comentei aqui sobre a campanha "Isto acontece porque você compra", do IBAMA, contra o tráfico de animais silvestres. Pois bem, resolvi divulgar aqui algumas imagens de animais apreendidos ou entregues ao IBAMA de Imperatriz/MA e que, muitas vezes, perderam definitivamente sua vida em liberdade.

Macacos-prego

Enquanto não sai a sede de Imperatriz do ICMBio, estamos acupando uma sala na sede do IBAMA, onde há também, um núcleo de fauna. São dezenas de macacos-prego, um tamanduá-bandeira (dois tamanduás-mirin foram soltos hoje!), uma sucuri que chegou ontem, vários papagaios, algumas araras, gaviões, um ouriço-cacheiro, um gato-do-mato e um gato-mourisco.

Filhote de Maracajá

Filhote de Gato-do-mato

Araras
Macacos-prego, não parecem com presidiários brasileiros?

Papagaios.

Filhote de Tamanduá-bandeira.

Sucuri entrege pelo corpo de bombeiros depois de ser resgatada de populares que tentavam mata-la.

O destino de animais retirados da natureza inclui jaulas apertadas, alimentação racionada, estresse, machucados e o resto da vida em cativeiro.

Colabore para reverter este cenário! Não compre nem crie animais silvestres sem liçenca!

[Esta postagem entrou na rede com um dia de atraso, devido a problemas técnicos]

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Parque Estadual Intervales

Fotos: Yuri Amaral

Boa parte da trilha é percorrida por rio.

Como mencionei na postagem anterior, estou morando temporariamente na Floresta Nacional de Ipanema, em Iperó/SP, onde está sediada a Academia Nacional da Biodiversidade (Acadebio), centro de formação e treinamento dos funcionários do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Para escapar da disciplina rígida e descansar a mente das longas jornadas de aula, passei o fim de semana passado no Parque Estadual Intervales, uma unidade de conservação de proteção integral do estado de São Paulo, com alguns dos novos colegas sediados em algum lugar remoto da amazônia legal. Me encantei com o que vi e resolvi contar (e mostrar) como foi o passeio neste lugar maravilhoso.

O parque possui pousadas muito bem estruturadas que foram instaladas nas casas dos antigos moradores, desapropriadas quando da demarcação da unidade. Os quartos são como albergues, com beliches e dependências comuns. Ocupamos quatro quartos na pousada Onça Pintada, a R$ 25,00 a diária. A área total do parque compreende 41.700 ha, abrangindo cinco municípios do Vale do Ribeira e Alto Paranapanema - por isso inter-vales.

Pousada Onça Pintada.

Saímos no domingo pra percorrer a trilha da Gruta Luminosa, num total de 20 Km entre trechos de rios, trilhas e cavernas. Levamos 7 horas, entre 10h e 17h, como o dia estava nublado, não foi tanto cansativo.



As flores dão um show a parte.

O Parque possui flora e fauna riquíssimas. A cada curva, bromélias, orquídeas e outras plantas floridas e seus insetos disporsores em volta. Como o grupo era formado majoritariamente por biólogos, as paradas para observações eram inevitáveis. Podemos observar um tucano (o fotógrafo aqui deu mole e o bicho voou antes de conseguir sacar a máquina), um bugio (espécie de primata) e indícios de anta, fora insetos dos mais diversos.

Bugio observando curioso seus parentes de roupas.


Um curioso besouro (os preferidos de Darwin).


Nem sempre é necessário ver o animal para saber que ele ocorre no lugar. A pegada deixa claro que uma anta passou aqui pouco antes de nós.

Ninho de alguma ave (não sei qual...). Só o homem faz arte?


Apenas observando a serrapilheira pode-se reparar na diversidade no local. Pouco a pouco as folhas, galhos e animais mortos vão sendo decompostos para enrriquecer o solo e manter o ciclo de reciclagem dos nutrientes da floresta.


Pequeno trecho dominado por samambaias gigantes. As pteridóphilas foram as primeiras plantas a apresentar crescimento arbóreo ao longo da caminhada evolutiva.

As cavernas são um espetáculo a parte. Em Intervales, há 45 cavernas. Em algumas, são necessárias 2 horas para visitar todos os salões. Visitamos duas, porém, a mais bacana foi a Luminosa, com uma queda d'água iluminada que dá um efeito fantástico.


A tropa dos novos analistas ambientais do ICMBio. Apenas uma amostra, no total são 175. Na extrema esquera, Robisson, nosso guia.




Cachoeira Luminosa, o banho é gelado, mas, depois de horas caminhando, recompensador.

Se alguém quiser visitar, o parque fica a 25 km de Ribeirão Grande/SP. Fone: (15) 3542-1511 ou 3542-1245. E-mail: pe.intervales@fflorestal.sp.gov.br